1983 foi um ano particularmente "negro" para as guitarras Fender. A CBS exigiu corte dos custos de produção e a saída foi essa strato aberrante, com uma ponte estranha, o "Freeflyte" tremolo:
Não é nem questão de funcionalidade do tremolo, mas a ausência de um bloco de inércia e a grande proximidade das molas e do prendedor delas (tremolo claw) dos captadores com certeza modifica o som deles. Quanto mais metal perto dos ímãs e bobinas de um captador, maior a indutância, que pode até elevar um pouco o nível de saída, mas abaixa a frequência de ressonância, ou seja, diminui os agudos. Duvido que eles tenham criado captadores especiais para compensar esse efeito...
Como se não bastasse, alguém da CBS veio com a brilhante idéia de "modernizar" as cores. Que tal essa strato made in USA 1983, com ponte freeflyte e pintura estilo mármore?
E tem gente que vende essas stratos como "raridades". Um dos truques usados é chamá-las de guitarras da "Era Dan Smith". Não quer dizer nada e imagino que o próprio Dan Smith não ficou satisfeito.
Bem vamos ver então o que aconteceu na Fender nesse período de 1981-1985, onde foi criada a "Fender Japan" e a CBS acabou vendendo a marca Fender para os seus próprios funcionários.
Cronologicamente:
1 - Anos 70: Gibson e Fender nas mãos de inescrupulosos capitalistas (Norlin e CBS, respectivamente) têm ambas uma grande queda na qualidade de seus produtos (mas não de preços).
Paralelamente, os japoneses (Tokai, Greco, etc.) evoluem em suas cópias e no início dos anos 80 o dólar valoriza-se demais. Prejuízo das americanas e queda da exportação.
2 - Em 81 a CBS contrata Bill Shultz e Dan Smith para administrarem a Fender, ambos ex-funcionários da Yamaha. A solução frente à competição japonesa e ao câmbio desfavorável foi criar a "Fender Japan" (março de 1982) com os 2 maiores distribuidores de lá (Yamano e Kanda Shokai). A empresa recém criada contratou a Fuji Gen-Gakki (IBANEZ) para fabricar as Fender. Com o dólar alto, a exportação era inviável - a idéia então era usar o Japão como exportador (exceto para os EUA - volto a esse detalhe depois). Nesse meio tempo, a Fender iniciou um processo de "volta às origens", para melhorar a qualidade de suas guitarras. Chegaram ao absurdo de comprar guitarras e baixos Fender vintage para reaprender o processo (gastaram US$ 5.600 para comprar um Precision Bass 1957, um Jazz Bass 1960 e uma Stratocaster 1961).

Quando chegaram aos EUA as primeiras guitarras Fender japonesas (as strato eram baseadas nas 57), segundo palavras do próprio Dan Smith, o pessoal da Fender quase chorou. A qualidade era excepcional. Tudo o que eles estavam tentando fazer estava ali na frente deles e... vinha do Japão! :)
Veja um exemplo da guitarra que impressionou a própria Fender:


3 - Então, a situação era essa: Fender USA continuava produzindo para os EUA e a Fender Japan para o resto do mundo (todas feitas pela mesma fábrica da Ibanez e com o "Made In Japan"). Mas mesmo nos EUA, o custo era alto e a CBS exigiu cortes, gerando guitarras muito ruins nesse período. As piores Fender USA jamais feitas são dessa época, ppte 1983. A CBS resolveu competir com os japoneses que estavam entrando com força nos EUA e passou a vender as Fender japonesas lá também, mas com a marca "Fender Squier" e headstock estilo anos 70, para não haver competição entre eles mesmos.
(Observe que, essas primeiras Squiers vendidas exclusivamente nos EUA e com headstock estilo anos 70 ainda eram guitarras muito boas - e geralmente o selo "Squier" era pequeno e o "Fender" grande - , diferente das Squier que em seguida passaram a ser exportadas para o resto do mundo)
4 - Em novembro de 1984 (em 1986 a Norlin também vendeu a Gibson), um grupo de investidores liderados por Bill Schultz comprou a Fender da CBS. Na verdade, comprou a marca "Fender", já que a fábrica não estava incluida. Sem fábrica nos EUA, a Fender passou a depender inteiramente da produção japonesa.
Entre o final de 1984 até meados de 1986, 80% das Fender vendidas nos EUA vinham do japão.
Convém observar que, a partir de 1984, com a necessidade do aumento da produção japonesa para suprir o mercado dos EUA e resto do mundo, houve uma certa queda da qualidade e grande parte das guitarras japonesas para "exportação" tinha corpo de basswood (atenção) e acabamento em poliuretano.
ATENÇÃO: "Nenhuma Fender foi produzida nos EUA entre janeiro e outubro de 1985".
Quando a Fender voltou a produzir normalmente - e isso foi muito gradual - o interesse na produção de alta qualidade do japão diminuiu e, ao mudar de fornecedor, por força de contrato, as novas guitarras não poderiam mais usar o "made in japan", apenas o "crafted in japan", ppte a partir de 1996/97.
Com o dólar já competitivo, em 1985 a Fender autoriza outros fabricantes (ppte Coréia) a produzirem uma segunda linha, sempre denominada "Squier". A exportação japonesa diminuiu muito mas manteve-se por um bom período sem o "Squier".
A competição cada vez mais acirrada obrigou uma queda de preços e qualidade. Portanto, a Squier hoje em dia é isso que vemos: feita na China e é uma guitarra "barata" sob todos os aspectos.
Concluindo: as Fender Made in Japan, principalmentete do período entre 1982 (ou antes) e 1984
(identificáveis com o "Made in Japan" seguido por JV + 5 números), estão entre as melhores Fender de todos os tempos (lembre-se: elas quase fizeram o Dan Smith chorar... :) ). Se conseguires uma dessas, teoricamente a única coisa que pode ser melhorada são os captadores (é de consenso geral que os captadores japoneses, mesmo das melhores guitarras, não eram superiores aos Fender americanos)
O oposto ocorre com as Americanas entre 1980 e 1984: são na maioria de qualidade inferior, principalmente as Standard 1983.
É possível encontrar excelentes Fender "Crafted In Japan" (e também "Made In Japan", porque a Fuji continuava produzindo uma parcela) mas provavelmente sem a mesma qualidade feitas pela Ibanez (Fuji Gen-Gakki).
A Fender Japan produz atualmente guitarras de alto padrão mas apenas para o mercado interno. Eventualmente, uma ou outra série especial é exportada. A Telecaster da Fender Japan TLR-RK (modelo Richie Kotzen) só é feita lá, por exemplo.
Essa questão "Made" ou "Crafted" in Japan é algo controversa, assim como as Squiers (antigas e atuais).
Não é nem questão de funcionalidade do tremolo, mas a ausência de um bloco de inércia e a grande proximidade das molas e do prendedor delas (tremolo claw) dos captadores com certeza modifica o som deles. Quanto mais metal perto dos ímãs e bobinas de um captador, maior a indutância, que pode até elevar um pouco o nível de saída, mas abaixa a frequência de ressonância, ou seja, diminui os agudos. Duvido que eles tenham criado captadores especiais para compensar esse efeito...E tem gente que vende essas stratos como "raridades". Um dos truques usados é chamá-las de guitarras da "Era Dan Smith". Não quer dizer nada e imagino que o próprio Dan Smith não ficou satisfeito.
Bem vamos ver então o que aconteceu na Fender nesse período de 1981-1985, onde foi criada a "Fender Japan" e a CBS acabou vendendo a marca Fender para os seus próprios funcionários.
Cronologicamente:
1 - Anos 70: Gibson e Fender nas mãos de inescrupulosos capitalistas (Norlin e CBS, respectivamente) têm ambas uma grande queda na qualidade de seus produtos (mas não de preços).
Paralelamente, os japoneses (Tokai, Greco, etc.) evoluem em suas cópias e no início dos anos 80 o dólar valoriza-se demais. Prejuízo das americanas e queda da exportação.
2 - Em 81 a CBS contrata Bill Shultz e Dan Smith para administrarem a Fender, ambos ex-funcionários da Yamaha. A solução frente à competição japonesa e ao câmbio desfavorável foi criar a "Fender Japan" (março de 1982) com os 2 maiores distribuidores de lá (Yamano e Kanda Shokai). A empresa recém criada contratou a Fuji Gen-Gakki (IBANEZ) para fabricar as Fender. Com o dólar alto, a exportação era inviável - a idéia então era usar o Japão como exportador (exceto para os EUA - volto a esse detalhe depois). Nesse meio tempo, a Fender iniciou um processo de "volta às origens", para melhorar a qualidade de suas guitarras. Chegaram ao absurdo de comprar guitarras e baixos Fender vintage para reaprender o processo (gastaram US$ 5.600 para comprar um Precision Bass 1957, um Jazz Bass 1960 e uma Stratocaster 1961).
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| Bill Schultz: |

Dan Smith:
Veja um exemplo da guitarra que impressionou a própria Fender:



3 - Então, a situação era essa: Fender USA continuava produzindo para os EUA e a Fender Japan para o resto do mundo (todas feitas pela mesma fábrica da Ibanez e com o "Made In Japan"). Mas mesmo nos EUA, o custo era alto e a CBS exigiu cortes, gerando guitarras muito ruins nesse período. As piores Fender USA jamais feitas são dessa época, ppte 1983. A CBS resolveu competir com os japoneses que estavam entrando com força nos EUA e passou a vender as Fender japonesas lá também, mas com a marca "Fender Squier" e headstock estilo anos 70, para não haver competição entre eles mesmos.
(Observe que, essas primeiras Squiers vendidas exclusivamente nos EUA e com headstock estilo anos 70 ainda eram guitarras muito boas - e geralmente o selo "Squier" era pequeno e o "Fender" grande - , diferente das Squier que em seguida passaram a ser exportadas para o resto do mundo)
4 - Em novembro de 1984 (em 1986 a Norlin também vendeu a Gibson), um grupo de investidores liderados por Bill Schultz comprou a Fender da CBS. Na verdade, comprou a marca "Fender", já que a fábrica não estava incluida. Sem fábrica nos EUA, a Fender passou a depender inteiramente da produção japonesa.
Entre o final de 1984 até meados de 1986, 80% das Fender vendidas nos EUA vinham do japão.
Convém observar que, a partir de 1984, com a necessidade do aumento da produção japonesa para suprir o mercado dos EUA e resto do mundo, houve uma certa queda da qualidade e grande parte das guitarras japonesas para "exportação" tinha corpo de basswood (atenção) e acabamento em poliuretano.
ATENÇÃO: "Nenhuma Fender foi produzida nos EUA entre janeiro e outubro de 1985".
Quando a Fender voltou a produzir normalmente - e isso foi muito gradual - o interesse na produção de alta qualidade do japão diminuiu e, ao mudar de fornecedor, por força de contrato, as novas guitarras não poderiam mais usar o "made in japan", apenas o "crafted in japan", ppte a partir de 1996/97.
Com o dólar já competitivo, em 1985 a Fender autoriza outros fabricantes (ppte Coréia) a produzirem uma segunda linha, sempre denominada "Squier". A exportação japonesa diminuiu muito mas manteve-se por um bom período sem o "Squier".
A competição cada vez mais acirrada obrigou uma queda de preços e qualidade. Portanto, a Squier hoje em dia é isso que vemos: feita na China e é uma guitarra "barata" sob todos os aspectos.
Concluindo: as Fender Made in Japan, principalmentete do período entre 1982 (ou antes) e 1984
(identificáveis com o "Made in Japan" seguido por JV + 5 números), estão entre as melhores Fender de todos os tempos (lembre-se: elas quase fizeram o Dan Smith chorar... :) ). Se conseguires uma dessas, teoricamente a única coisa que pode ser melhorada são os captadores (é de consenso geral que os captadores japoneses, mesmo das melhores guitarras, não eram superiores aos Fender americanos)
O oposto ocorre com as Americanas entre 1980 e 1984: são na maioria de qualidade inferior, principalmente as Standard 1983.
É possível encontrar excelentes Fender "Crafted In Japan" (e também "Made In Japan", porque a Fuji continuava produzindo uma parcela) mas provavelmente sem a mesma qualidade feitas pela Ibanez (Fuji Gen-Gakki).
A Fender Japan produz atualmente guitarras de alto padrão mas apenas para o mercado interno. Eventualmente, uma ou outra série especial é exportada. A Telecaster da Fender Japan TLR-RK (modelo Richie Kotzen) só é feita lá, por exemplo.
Essa questão "Made" ou "Crafted" in Japan é algo controversa, assim como as Squiers (antigas e atuais).
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